Hateen: a reflexão importante de superação em “1997”

Como era a sua vida em 1997? O Hateen chegou em 2006 com seu primeiro álbum em português, o ótimo Procedimentos de Emergência (2006), e já trouxe consigo uma reflexão importante sobre superação com a música 1997, o maior sucesso da carreira da banda.

 

Rodrigo Koala, vocalista e o compositor da faixa, deixa claro que o ano citado no título da música foi importante demais para sua vida, uma vez que rompeu um relacionamento duradouro com uma pessoa que amou muito. Essa situação é descrita na música e mostra a importância da superação vivida pelo músico, uma vez que hoje ele se encontra bem casado e com dois filhos.

 

A letra da música mostra um certo desespero, mas, ao mesmo tempo, traz um final feliz, mostrando que mesmo depois de viver momentos bem complicados, somos capazes de sobreviver e superar cada um desses problemas.

 

A faixa continua sendo um dos maiores hits da banda e teve seu videoclipe passado incessantemente na MTV após o lançamento do disco.

 

A banda traz uma sonoridade que flerta elementos do Hardcore Melódico, do Punk Rock e do que ficou conhecido como Emocore, apostando em bastante melodia e melancolia misturadas com intensidade e alternância de peso e calmaria. A banda segue fazendo seus shows até os dias de hoje e promete novo material de inéditas para o ano de 2026.

 

Muitos adolescentes da época que a música foi lançada (assim como eu) cantaram as frases marcantes da música a plenos pulmões e muitos de nós passamos por situações parecidas em algum momento. Amar alguém e ver essa pessoa indo embora nunca é fácil, além de ter que conviver com a presença dela por perto e daqueles amigos da outra pessoa que ajudaram a sabotar sua relação, sendo extremamente falsos com você. Toda essa raiva e angústia são detalhadamente expressas neste bom trabalho do Hateen.

 

O que resta é levantar a cabeça e seguir em frente, torcendo também para, em algum momento, encontrarmos também o nosso “final feliz”.

 

 

Nirvana: o desejo de Kurt de voltar para sua infância feliz

Sliver é uma música muito, mas muito importante para o Nirvana. A faixa é exatamente o elo entre o Nirvana mais denso do Bleach (1989) e o Nirvana mais “pop” do Nevermind (1991). Mas, você realmente já parou para pensar no significado de sua icônica letra?

 

Por trás de uma narrativa simples que mostra a história de um garoto que fica com os avós enquanto seus pais vão a um show tem um desejo incessante do músico de voltar para sua infância feliz.

 

Quem conheceu o músico Kurt Cobain sabe o quanto a separação de seus pais quando ele ainda era criança mexeu muito com ele. Somando isso ao fato de tomar remédios fortes desde cedo, fez com que o músico fosse se tornando cada vez mais triste, depressivo e dependente químico, querendo voltar a todo custo a ter aquela sensação que tivera quando ainda era uma criança: um lar feliz e em paz.

 

Quando Kurt grita a plenos pulmões pedindo para que sua avó o leve para casa ele não está pedindo apenas para ir ao lugar físico onde mora, ele quer ter aquela sensação de paz e segurança que um dia tivera e um dia sentira: ele quer ser feliz de novo. A música é quase um pedido de socorro!

 

Sliver também foi muito importante para mostrar para o restante da banda e para o público que já os acompanhava que eles estavam mudando de sonoridade: no disco seguinte aquelas letras densas e aqueles riffs sombrios dariam lugar a uma sonoridade mais alegre e dilemas adolescentes.

 

A faixa foi importante para “abrir espaço e apontar a direção” do que viria a ser o Nevermind (1991) e todo seu sucesso. De qualquer forma, a vontade de voltar a ser feliz e o pedido de socorro do líder do Nirvana jamais poderá ser ignorado.

 

 

 

Titãs: a boa música de uma frase só

 

O quão ousada uma banda tem que ser para criar uma música que repete algumas vezes a mesma frase? O Titãs fez isso com um ótimo trabalho que, além de boa música, ainda é o título do álbum: Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987).

 

O álbum foi um trabalho de transição, mostrando a sonoridade pesada que a banda já havia apresentado no trabalho anterior em Cabeça Dinossauro (1986), mas também apontando para uma novidade: a banda começava a flertar com bateria eletrônica e música experimental, mostrando uma nova sonoridade em que estavam também apostando.

 

Mas, voltando à música que dá nome ao álbum, não é comum termos uma faixa onde se repete várias vezes a mesma frase e nada mais. Dentro dessa ousadia, o Titãs criou uma ótima música que, além de reafirmar o nome da faixa e do disco, ainda trouxe ótimos riffs de guitarra e uma sonoridade que causa tensão e reflexão.

 

Cantada originalmente na voz de Nando Reis, teve também Branco Mello assumindo seus vocais após a saída do ruivo. Ambas as versões trazem boa tensão e reflexão, fazendo com que a música siga sendo atemporal.

 

É claro que a letra pode ter várias interpretações e a poesia nos permite isso, mas pensar que Deus se fez carne e viveu junto aos humanos sendo um deles é uma que se encaixa perfeitamente, uma vez que Jesus não tendo dentes no “país dos banguelas”, ele se torna igual a todos, mostrando sua humildade em vir à Terra para nos trazer redenção e ensinamentos.

 

De qualquer forma, o álbum foi, sem dúvida, um marco para a banda e ajudou a fazer com que os Titãs se consolidassem na cena rock nacional. A música segue sendo tocada pela banda e sendo marcante para os amantes de Rock and Roll até os dias atuais.

 

 

Nirvana: o grito de Kurt a plenos pulmões em “Where Did You Sleep Last Night”

 

Kurt Cobain nunca fora uma pessoa fácil de se lidar. Ao conhecer Courtney Love, foi como se a pólvora e o fogo se encontrassem: ambos tiveram problemas emocionais desde a infância, abusavam de ilícitos, bebiam muito e tinham bandas de Rock Alternativo em ascensão. Mas, acima de tudo isso, ambos se amavam. Pelo menos Kurt Cobain a amava muito.

 

O vocalista do Nirvana nunca soube lidar muito bem com a rejeição. Encontrar alguém que estava ao seu lado mesmo antes de o Nirvana fazer sucesso e se enxergar perfeitamente na outra pessoa foi um marco para ele. Courtney, apesar de tudo, foi o alicerce de vida de Cobain em seus últimos anos de vida.

 

O estilo de vida autodestrutivo dos dois juntos não durou muito tempo: Courtney engravidara de Frances Bean Cobain e começou a se cuidar pela filha. A ideia era que Kurt fizesse o mesmo, mas ele não conseguia por muito tempo.

 

De qualquer forma, na época do MTV Unplugged in New York (1994) do Nirvana, a relação do casal parecia não estar muito boa. Kurt aceitara o convite da emissora, mas não queria que se metessem no repertório: a banda iria escolher. Dentre as escolhas, uma música de Folk do início do século XX eternizada na voz de Leadbelly surpreendeu a todos: Where did you sleep last night.

 

Kurt sempre gostou de fazer covers de bandas e artistas que mexiam com ele. Para o acústico, o músico escolheu músicas de LeadBelly, Vaselines, David Bowie e Meat Puppets. De todas, sem dúvida a mais surpreendente fora a do artista de Folk.

 

A música (que originalmente fora gravada com o nome de In the Pines) acabou sendo a escolhida para encerrar o show. Foi nítido que Kurt deixara tudo de si nessa apresentação, cantando a plenos pulmões seu marcante refrão final. Ali ele não estava apenas fazendo uma apresentação, ele fazia uma declaração de amor para Courtney Love, a pessoa que o músico sentia que estava perdendo. Outras letras que o líder do Nirvana escrevera antes de partir como Do Re Mi e You Know You’re Right acabam trazendo mais argumentos para essa triste situação: Kurt sentia que o grande amor de sua vida estava lhe deixando.

 

Where Did You Sleep Last Night acabou sendo uma espécie de despedida de Kurt Cobain, que partira poucos meses depois. A MTV até pediu que a banda fizesse um “bis”, mas Kurt deixou claro que nada superaria aquela música; e ele estava certo.

 

 

Stone Temple Pilots: “Purple”, o ótimo segundo disco da banda

 

Toda banda, quando faz sucesso com a estreia, enfrenta um momento crucial: o “teste” do segundo álbum. É fato que várias bandas que fazem sucesso já no álbum de estreia acabam não repetindo os mesmos números no trabalho seguinte, não conseguindo manter o número alto de vendas e de procura da banda para shows. Mas, algumas bandas conseguem se manter no sucesso ou até aumentá-lo e esse foi o caso do Stone Temple Pilots.

 

“Pegando carona” no sucesso do grunge, mesmo sendo uma banda de San Diego, o Stone Temple Pilots trouxe uma sonoridade que misturava elementos de Hard Rock e de Rock Alternativo em sua estreia, o Core (1992). Devido ao estilo de cantar de Scott Weiland, a banda foi até comparada ao Pearl Jam.

 

 

Porém, em junho de 1994 a banda chegava com o Purple (1994), seu segundo álbum, trazendo músicas tão boas quanto ou ainda melhores que o primeiro disco. Aqui a banda se mostrou mais madura, trouxe bons riffs de guitarra, ótimas letras e ótimos refrãos, mostrando que o Stone Temple Pilots estava se consolidando na cena rock mundial.

 

Além do trabalho instrumental, Scott Weiland começou a explorar novas nuances de sua voz, trazendo uma sonoridade mais aguda, explorando novas notas e novas técnicas. Sendo assim, permitiu uma sonoridade diferente para a banda.

 

Na época, a banda era formada por Scott Weiland nos vocais, Dean DeLeo na guitarra, Robert DeLeo no baixo e Eric Kretz na bateria. A produção do disco ficou por conta de Brendan O’Brien.

 

O disco todo é ótimo, mas não posso deixar de destacar quatro músicas: Meatplow, Vasoline, Unglued e o grande sucesso Interstate Love Song.

 

Manter-se no topo e ainda alcançar mais sucesso depois da estreia, não é para qualquer banda e o Stone Temple Pilots fez isso muito bem com o ótimo disco Purple (1994).

 

Charlie Brown Jr: o desespero de tentar esquecer alguém em “Só Por Uma Noite”

 

O Charlie Brown Jr sempre passou mensagens de pessoas que lutavam para sobreviver e enfrentavam todos os desafios da vida. Não que não seja verdade, mas até pessoas desse tipo têm de lidar com a partida de pessoas que amam e lutar para esquecer alguém, nem que seja por um momento, nem que seja apenas por uma noite.

 

A faixa Só Por Uma Noite mostra alguém desesperado para esquecer um grande amor, “pagando qualquer preço” para conseguir se livrar desses pensamentos, nem que isso custe muito dinheiro ou muita energia. A saudade é tão grande que qualquer coisa que alivie essa dor está valendo a pena para o eu-lírico.

 

E, mesmo que essa busca pelo esquecimento seja a qualquer custo, ouvir a voz da outra pessoa já é o suficiente para entender que ele ainda a ama. A saudade está matando o eu-lírico, mas o amor é verdadeiro e ainda se mostra forte e presente, fazendo com que ele fale bem dela mesmo na dor.

 

Não é fácil ver alguém que você ama indo embora. Mais difícil ainda é conseguir esquecer esse amor. De qualquer forma, o eu-lírico mostra força de vontade para pagar qualquer preço a fim de conseguir esse objetivo. Em algum momento, essa busca parece até desesperada, até por não ter um plano bem definido ou uma solução aparente.

 

A situação parece desesperadora porque ele tentou tudo o que era possível: em ver de ficar parado de “braços cruzados”, ele foi à luta, ele conheceu outras pessoas e seguiu com sua vida; porém, em vão. A saudade continuou ali, latejando, gritando dentro dele, não importava o que ele fizesse.

 

O eu-lírico ainda não desistiu, mas a batalha não tem sido fácil. Afinal, nunca é fácil dizermos “adeus” ao grande amor de nossas vidas.

 

 

 

Engenheiros do Hawaii: “De Fé” e a prova de amor de Humberto Gessinger

 

Não é todo mundo que tem a sorte de encontrar o amor de sua vida. Às vezes até encontramos, mas não estamos mais com esse amor em nossas vidas. Situação muito diferente da vivida por Humberto Gessinger, líder dos Engenheiros do Hawaii.

 

Casado há mais de 30 anos, a letra da música De Fé é uma declaração de amor, mostrando que se pode ter tudo na vida, mas sem o amor e o apoio, é como se estar de mãos vazias. A letra mostra um rapaz falando de todas as suas conquistas, mas deixando claro que nos momentos mais difíceis, é o apoio de seu grande amor que o mantém de pé.

 

 

Segundo a letra, não adianta ter dinheiro, fama, sucesso, bens: nos momentos de maior dificuldade, se não tiver com quem contar, nada disso fará diferença. De Fé é uma declaração de amor direta, sem promessas mirabolantes ou amores impossíveis; fala do amor real. A letra fala do conforto de se ter alguém por perto, alguém que valha a pena, alguém com quem contar, alguém a quem amar.

 

Humberto Gessinger é casado com Adriane, seu grande amor. Os dois se conheceram na escola, mas o relacionamento começou quando já estavam cursando juntos Arquitetura. Adriane seguiu e se formou, Gessinger deixou o curso para seguir na carreira musical ao lado dos Engenheiros do Hawaii. Juntos eles têm uma filha, Clara Gessinger. Agora ela está grávida e logo Humberto e Adriane serão avós.

 

De qualquer forma, De Fé fala sobre a parceria de um casal que se ama e que pode sempre um contar com o outro. O amor segue sendo a maior conquista de Humberto Gessinger e essa letra deixa claro a importância de se estar bem ao lado do amor de sua vida.

 

 

 

 

Creed: o amor de pai para filho em “With Arms Wide Open”

 

O Creed é uma banda que fez muito sucesso entre os anos 90 e 2000. Uma das músicas responsáveis por todo esse sucesso é a With Arms Wide Open, faixa que chegou até a fazer parte da trilha sonora da novela Malhação aqui no Brasil, sendo a música do casal principal da trama. Porém, essa música não fala sobre amor; pelo menos não sobre um amor de casal.

 

A letra da música With Arms Wide Open fala sobre o amor de um pai para um filho, o amor de alguém que descobre que será pai e está esperando inquietamente para que chegue logo esse momento. Na letra, o eu-lírico promete cuidar do filho e lhe mostrar tudo o que sabe do mundo, demonstrando uma boa ansiedade para que chegue logo este momento.

 

Essa curiosa situação da música ter feito parte de uma novela, ainda mais sendo responsável pelo casal principal, fez com que muita gente achasse que era uma faixa de letra romântica, falando sobre um amor de casal. Essa confusão pode gerar até uma certa frustração das pessoas ao descobrirem que a letra trata sobre um tema bonito também, porém diferente do esperado.

 

Scott Stapp, vocalista do Creed e compositor da música, estava prestes a ser pai quando escreveu a canção. Para ele, cada sentimento expresso na letra de With Arms Wide Open é real porque ele mesmo estava vivendo cada verso que veio a cantar várias vezes mundo a fora com sua banda e depois em sua carreira solo.

 

A música fala sobre a vontade de querer ser o melhor pai possível, oferecendo ajuda, oferecendo compreensão, apoio e ensinamento ao filho, prometendo estar junto em todos os momentos.

 

Sendo assim, o Creed não deixou de falar sobre amor em With Arms Wide Open, porém, diferente do que muitos pensaram, era sobre um amor puro de um pai esperando seu filho nascer.

 

 

 

Matanza: os brutos também amam e “O último bar” prova isso

 

Sim, os brutos também amam e a banda Matanza deixa isso claro na letra de O Último Bar, faixa presente em seu álbum de estreia. A banda, muito conhecida pelo jeito excêntrico de seu vocalista Jimmy e também por suas letras engraçadas que mostram um eu-lírico que gosta muito de beber, brigar e se divertir, prova que os brutos também podem ter sentimentos reais.

 

Por mais que não pareça, a música O Último Bar não tem o foco na bebedeira e na diversão, como pode parecer em seu início, mas sim no amor não mais correspondido que seria o motivo de toda essa vida desregrada. Por mais que a letra comente sobre uma pessoa que bebe até o limite, até a manhã do dia seguinte, o verdadeiro foco está em porque ele faz isso: ele não tem mais a companhia de seu grande amor.

 

A letra é bem clara nesse sentido, mostrando que para quem está cantando, a vida era melhor quando a pessoa amada estava por perto. Sendo assim, a música deixa claro que sim, os brutos também amam.

 

Assim como todo mundo que já passou por isso, ver seu grande amor indo embora pode ser uma situação bem triste. Além disso, a dor da saudade parece não ir embora e buscar refúgio em festas e bares parece ser a alternativa mais procurada. Mesmo parecendo que não está surtindo o efeito esperado, o eu-lírico segue na esperança de um dia esquecer a amada, nem que para isso ele tenha que continuar em uma vida desregrada, indo de bar em bar, até o amanhecer.

 

Pelo jeito, a saudade persegue até aquelas pessoas que não demonstram. Ou, pelo menos, demonstram de formas diferentes das convencionais.

 

 

 

Fernóliver: músico retoma a carreira com releituras de suas músicas

Retomar a carreira e fazer o que ama, não é todo mundo que está disposto a isso. O músico Fernóliver está e em 2025 provou isso lançando um EP de releituras de singles que já havia lançado, mas agora com uma nova roupagem. Sua sonoridade traz influências de Rock Alternativo, Pop Rock e Post Grunge, flertando com bandas como Incubus, por exemplo.

 

Além de boa sonoridade instrumental, as letras reflexivas e os bons refrãos também marcam presença em seu trabalho.

 

Clique abaixo para ouvir o EP Nossos Dias (2025) agora mesmo.

 

 

As novas releituras trazem influências modernas para o som, flertando até com elementos de Post Rock e elementos Eletrônicos. Mas, além das boas releituras, há uma faixa inédita: Nossos Dias – Acústico.

 

Além de Fernóliver nos vocais, violão e guitarras, a banda que o acompanha conta com: Bruno Ric’s na bateria, Léo Fox na guitarra e Nelson Rodrigo no baixo.

 

 

Para saber mais sobre Fernóliver, basta clicar abaixo.

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