“Tenho sofrido em silêncio”, cantou Ryan na primeira canção do Demon Hunter em Recife, na noite do último domingo 07/12.
Felizmente, no palco, Ryan não sofreu. Muito menos em silêncio.
Um minuto antes do horário marcado, “Sorrow Light The Way” já puxou corais entusiasmados do público que preencheu quase a metade do amplo espaço do Armazém 14, no Recife Antigo.
“Primeira vez em Recife. Muita coisa pra tocar pra vocês”, o vocalista Ryan Clark interagia em Inglês com o publico.

Fotografia: Juninho Vibration
De fato, em 2013 o Demon Hunter visitou apenas Rio e São Paulo, tendo sido o retorno de 2018 cancelado pouco antes das datas anunciadas.
Havia mesmo muito a tocar em Recife, e os fãs devolveram com gosto os “I don’t know why” de Collapsing, criaram uma atmosfera comovente em I Will Fail You, seguiram as palmas de Dead Flowers e Cut to Fit e destruiram tudo no finale de Storm The Gates of Hell, com direito a ouvirem ainda um “Essa é pros old school que tão com a gente nesses últimos 24 anos” antes de Infected, lançada lá em 2002.
“Qual é, Recife? Cês tão prontos?”, jogou o Inglês de Sonny Sandoval dois minutos antes do horário previsto e as primeiras notas de Southtown.

Fotografia: Juninho Vibration
Ainda mais carismático que o ótimo Ryan Clark, Sonny já pisou nas caixas de som que separavam o palco do público nos primeiros minutos, apertando as mãos dos primeiros da fila.
Não demorou para uma bandeira de Pernambuco voar no palco e ser devolvida por alguém da equipe. Segundos depois, Sonny tomou a bandeira da mão do fã e até o fim do show a fez de chapéu, adereço de pedestal, capa e tudo que veio à cabeça, para loucura do público recifense.
“Quantos de vocês já foram em outro show do P.O.D. antes? Quantos estão em um show do P.O.D. pela primeira vez?”, agitava também um simpático Marcos Curiel, nos breves descansos de Sonny.
Boom, I Got That, Don’t Let Me Down, Murdered Love, Lost in Forever, o P.O.D. emendava um coral atrás do outro, entre os gritos repetidos de “Olê, olê, olê, olê, pioudí, pioudí!”.
Mais frequentes eram só os pedidos de Satellite vindos de todas as direções da pista.
Ninguém gritou por Youth of The Nation, mas logo ela veio com gargantas abertas e mãos pra cima, seguida por um Sonny rouco pedindo ajuda para gritar Will You.
Então Satellite chegou, tremendo o chão desde o primeiro acorde. E se a bela Sleeping Awake já tinha cara de fim, Alive esgotou o último fio de voz de quem estava em cima e embaixo do palco.
“Vocês são oficialmente backing vocals do P.O.D.”, agradecia um Sonny exausto.
Duas bandas que entregaram uma dose bonita de energia para um público que devolvia ainda mais. E um bom show não precisa de muito mais do que isso.
Texto: Geandre Moret com exclusividade para o RockStage Brasil.
Fotografia: Juninho Vibration