Se o grunge teve um som característico: sujo, pesado e autêntico, grande parte desse mérito pode ser atribuída a Jack Endino. Engenheiro de som, produtor musical e guitarrista, ele foi peça-chave na construção da identidade sonora da cena de Seattle nos anos 1980 e 1990. Seu nome pode não ser tão reconhecido quanto o de Kurt Cobain, Eddie Vedder, Layne Staley ou Chris Cornell, mas sua influência está presente em alguns dos álbuns mais icônicos da época. Além disso, o produtor também estabeleceu uma relação especial com o Brasil, trabalhando com diversas bandas nacionais e influenciando o rock alternativo por aqui.
Dos Porões de Seattle ao Mundo
Jack Endino começou sua trajetória musical como guitarrista da banda Skin Yard, um dos grupos precursores do grunge. Mas foi atrás da mesa de som que ele realmente se destacou. Com uma abordagem minimalista e crua, Endino ajudou a registrar a essência de bandas como Nirvana, Soundgarden, Mudhoney e Green River.
Foi ele quem produziu Bleach (1989), o primeiro álbum do Nirvana, com um orçamento irrisório de 600 dólares. O disco capturou a energia bruta da banda e se tornou uma peça fundamental na história do grunge. Endino também esteve envolvido na produção de Rehab Doll (1988) do Green River e nos primeiros trabalhos do Mudhoney, ajudando a consolidar o som distorcido e pesado que definiria o grunge.
Mesmo após o auge do movimento, Jack Endino continuou ativo, produzindo novas bandas e mantendo vivo o espírito do underground.
Influências e Filosofia de Produção
Endino sempre prezou por um som direto e sem exageros. Sua filosofia era evitar o excesso de efeitos e deixar a música soar o mais orgânica possível. Ele acreditava que capturar a performance real da banda era mais importante do que polir excessivamente uma gravação. Essa abordagem se tornou sua assinatura, diferenciando seu trabalho do rock mais comercializado dos anos 90.
Ele também foi influenciado pelo punk e pelo hard rock dos anos 70, referências que se refletiam no peso e na crueza das gravações que produzia. Endino via o estúdio como um meio de amplificar a energia da banda, sem interferir demais no processo criativo.
A Ligação com o Rock Brasileiro
Além de sua importância para o grunge, Jack Endino desenvolveu uma forte conexão com a música brasileira. Ele trabalhou com diversas bandas nacionais, ajudando a lapidar o som de grupos do rock alternativo e do underground. Algumas bandas brasileiras que tiveram álbuns produzidos ou mixados por Endino incluem:
- Autoramas
- Terno Rei
- Raimundos
- Pastel de Miolos
Sua vinda ao Brasil e colaborações com artistas nacionais mostram como sua influência transcendeu Seattle, impactando o rock mundial de maneira ampla. Para muitas dessas bandas, ter Endino como produtor era uma forma de resgatar a sonoridade autêntica e visceral que marcou o grunge.
Confira o álbum Titanomaquia, do Titãs, produzido por Jack Endino em 1993.
Legado e Relevância
Jack Endino pode não ser uma estrela do rock no sentido tradicional, mas sua importância para a música alternativa é inegável. Sem ele, talvez o grunge não tivesse o mesmo impacto ou autenticidade sonora. Sua filosofia de produção, voltada para a honestidade musical, influenciou gerações de produtores e músicos ao redor do mundo.
No Brasil, sua presença também deixou marcas, ajudando a consolidar a identidade sonora de diversas bandas do rock nacional. Seu legado continua vivo, tanto nos clássicos que ajudou a criar quanto nas novas bandas que seguem sua estética sonora.
Seja em Seattle ou no Brasil, Endino segue sendo um dos maiores engenheiros do som do rock alternativo, mantendo-se fiel à sua visão de música crua, autêntica e sem firulas.