Rock, pregação e evangelização estão no centro do Help, movimento cristão que estreia em São Paulo no dia 5 de novembro. Idealizado pelo baterista Walter Lopes (Waltão), ex-integrante do Oficina G3 e atual Judas O Outro, em parceria com Lucas Cavalcante e o pastor presbiteriano Michael Fassheber, o projeto terá quatro encontros, às quintas-feiras de novembro, na IP Anália. Os eventos serão transmitidos em 4K pelo YouTube.
A proposta é reunir duas bandas por noite, com apresentações de 35 minutos cada, intercaladas por momentos de 15 a 20 minutos de pregação e apelo. A estrutura terá palco central, público ao redor, som surround e câmeras com rastreamento por inteligência artificial.
Apresentado em coletiva promovida pelo Se Vira Music na quarta-feira (28), o Help nasceu da insatisfação dos organizadores com o que chamam de fim da cena evangelística. “A cena evangelística não existe mais. Hoje você não vai pra rua falar do evangelho”, afirmou Michael Fassheber. Walter Lopes, por sua vez, criticou o que considera uma mudança de postura das igrejas: “Se o cara quiser, vai ter que entrar na igreja, porque ninguém mais fala do evangelho”.
Michael também relembrou o impacto que o SOS da Vida, movimento ligado à Igreja Renascer em Cristo que ganhou projeção nos anos 90, teve sobre ele ainda na adolescência. O curioso é que o SOS da Vida Gospel Festival está sendo retomado com uma proposta aparentemente diferente, agora voltada ao worship e sem o protagonismo das bandas de rock que marcou suas edições anteriores. A nova edição está prevista para o feriado de Finados, em Cotia (SP), três dias antes da estreia do Help.
Os idealizadores dizem que o Help não pretende reproduzir iniciativas do passado, mas estimular uma nova mobilização. “Não é um evento meu, é um movimento”, resumiu Michael.
A proposta também inclui reuniões semanais de oração e o desenvolvimento de um aplicativo para aproximar pastores de pessoas em busca de apoio pastoral. O Help se define como interdenominacional e planeja circular por outras regiões do país, incluindo Rio de Janeiro, Nordeste e Norte. Após a primeira temporada, em novembro, o projeto fará uma pausa em dezembro e deverá retornar em janeiro.
As bandas interessadas passam por um cadastro com perguntas sobre sua relação com a igreja e suas funções na comunidade. Segundo os organizadores, a iniciativa busca acompanhar os músicos, em vez de se limitar à contratação de atrações.
A seleção das bandas também leva em conta o conteúdo das letras. Questionado por Geandre Moret, da banda Insomnica, sobre a possibilidade de incluir grupos com canções menos explicitamente evangelísticas, Walter Lopes afirmou que o projeto está aberto a diferentes formas de expressão musical, desde que as letras não comprometam o que considera uma teologia saudável.
Para ilustrar seu ponto de vista, Waltão citou trechos de “O Sol”, do Jota Quest, “Teto de Vidro”, da Pitty, e “Quatro Vezes Você”, do Capital Inicial. As canções, de artistas que estão fora do universo do rock gospel, abordam questões humanas e comportamentais sem terem sido compostas para transmitir uma mensagem cristã. Segundo o músico, a linguagem poética não é um problema, desde que esteja alinhada à proposta cristã do Help. Já a pregação entre os shows será o momento de apresentar a mensagem bíblica de forma direta.
O material audiovisual dos encontros também será disponibilizado às bandas para uso em suas próprias redes.
Help! Dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, sempre às 19h30, na IP Anália (Igreja Presbiteriana, no bairro Anália Franco), na Rua Acuruí, 327, zona leste de São Paulo. E para quem está fora da capital paulista, vale lembrar: os encontros também serão transmitidos pelo YouTube.