Nos últimos anos, a Itália voltou a chamar a atenção do mundo com o surgimento de novas bandas de rock que desafiam o pop dominante e devolvem o protagonismo às guitarras. Um dos maiores exemplos disso é o Maneskin, que explodiu internacionalmente após vencer o Eurovision e conquistar públicos dos Estados Unidos ao Japão com sua estética ousada e som direto.
Mas a cena alternativa italiana vai muito além. Longe dos holofotes das grandes gravadoras, a banda Bleach começa a trilhar o seu caminho. Depois de mais de uma década homenageando o Nirvana como banda tributo, o trio decidiu transformar essa base em algo autoral, autêntico e carregado de crítica social, peso e emoção.

Formada em 2012, na cidade de Roma, na Itália, a banda começou como muitos grandes nomes do rock alternativo: tocando em pequenos palcos, com a missão de manter viva a energia bruta e visceral do grunge.
“Começamos esse projeto por diversão há 13 anos. Ao longo do tempo, fizemos turnês por toda a parte e em 2018 tivemos a oportunidade de tocar com Chad Channing, o primeiro baterista do Nirvana, na celebração dos 30 anos do álbum Bleach”, conta Daniele Tofani, vocalista e guitarrista da banda.
Confira o single “Hand Grenade”.
Esse momento com Channing — que também participará de uma das faixas do novo disco autoral da banda — foi simbólico. Não apenas pelo nome em comum com o álbum clássico do Nirvana, mas também por marcar o encerramento de um ciclo.
Da homenagem à identidade própria
Em 2024, o Bleach deu início a uma nova fase: o lançamento de composições próprias, carregadas de peso, crítica social e referências que vão além do grunge. As músicas autorais não apenas surpreenderam o público, como também expandiram a base de fãs da banda.
“Recebemos muitas respostas positivas sobre essa nova direção. Os fãs de verdade já estão totalmente conectados com o que estamos fazendo, e novas pessoas estão se juntando à nossa comunidade. Isso nos deixa muito felizes. Claro, os haters também não faltam — mas entre ser odiado e ser ignorado, preferimos o primeiro”, comenta Daniele, com bom humor.

Embora o Nirvana ainda seja uma influência fundamental, a sonoridade do Bleach também bebe de fontes como Queens of the Stone Age, Placebo, hip hop, música eletrônica e até mesmo rap. O resultado é um som moderno, carregado de atmosfera e identidade.
Primeiro álbum: “God Bless the God Blessed”
O grupo está em processo de lançamento do seu primeiro disco autoral, intitulado “God Bless the God Blessed”, previsto para ser concluído até janeiro de 2025. Até lá, os singles estão sendo lançados individualmente nas plataformas digitais, como “Shutters” que você pode conferir logo abaixo:
Sobre o título do álbum, Daniele conta: “Nosso baterista criou esse título como uma piada um dia, mas eu achei incrível. Ele expressa perfeitamente a hipocrisia social, religiosa e moral que estamos vivendo hoje em dia”, explica ele.
Formação e turnê europeia
O Bleach é formado por: Daniele Tofani (vocais e guitarra), Mattia Dell’Orco (baixo e vocais de apoio) e Roberto “Doggie” Veloccia (bateria). Com espírito independente, o grupo segue sua turnê pela Europa em 2025, com diversas datas já confirmadas. Embora ainda não tenham se apresentado na América do Sul, os músicos demonstram interesse real em expandir suas apresentações para fora do continente. Confira “Scarecrow” abaixo.
“O Brasil é um lugar incrível para fazer turnê. Seria um sonho. Já visitei vários lugares do mundo, mas nunca estive aí”, disse Daniele.
Seguindo em frente…
Com um passado respeitável como banda tributo e uma nova fase autoral, a Bleach mostra que é possível evoluir sem perder a essência. Suas composições refletem o tempo em que vivemos, mas com uma abordagem artística autêntica e provocadora.
O futuro lançamento do álbum “God Bless the God Blessed” promete consolidar a banda como um nome relevante da cena alternativa europeia — e, quem sabe, abrir portas para apresentações em palcos ainda mais distantes, como os do Brasil.
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