O RockStage teve a oportunidade de conversar com um dos nomes mais inquietos e inventivos da cena alternativa atual. Guirroh, que vem construindo sua trajetória com experimentação, acaba de lançar “Eletrorock”, um projeto que revisita seu próprio catálogo e o reconstrói sob uma estética eletrônica carregada de peso, energia e identidade.
Nesta entrevista exclusiva, você confere — na íntegra — o papo com o artista, que abriu o jogo sobre o processo criativo, as motivações para essa nova fase, os desafios sonoros e o impacto que espera provocar com o álbum.

RockStage: Guirroh, como nasceu a ideia de transformar suas músicas em um projeto de remixes?
Guirroh: Na verdade tudo começou de forma bem espontânea. Eu estava ensaiando muito no meu home studio e um amigo me apresentou alguns equipamentos para performance ao vivo. Curti demais e pensei: “E se eu tocasse guitarra e voz em cima de bases que eu mesmo criasse?”. Mas, como um roqueiro raiz, não queria simplesmente soltar instrumentos orgânicos gravados. Então decidi refazer tudo com bateria eletrônica, synth bass e algumas camadas novas. Foi além de remix, virou uma nova experiência. Regravei vocais, riffs e até melodias.
RockStage: E quando você percebeu que isso poderia virar um álbum?
Guirroh: Quando finalizei a primeira faixa nesse formato, testei sozinho e gostei da vibe. Logo depois fui chamado para um show e palestra, levei essa proposta ao vivo e senti: “Ok, isso aqui é Eletrorock”. A energia funcionou. Ali entendi que eu tinha encontrado um caminho novo.
RockStage: Como você escolheu quais músicas entrariam nessa nova versão?
Guirroh: Foi quase uma reciclagem do meu próprio acervo. Com o fluxo de lançamentos, minhas primeiras músicas acabam ficando escondidas para quem está chegando agora. A ideia foi trazer todas elas para esse novo universo sonoro e apresentá-las com a estética atual.
RockStage: O que o público vai ouvir de diferente nessas versões?
Guirroh: Tem uma vibe mais energética, batidas com mais pressão, atmosfera dançante… mas também deixei espaço para duas faixas mais intensas e intimistas. Regravei vocais, ajustei melodias, reinventei elementos… mas sem perder a memória das versões originais.
RockStage: A produção também é sua, certo?
Guirroh: Isso! O álbum sai pelo meu selo, o CREIA Records. Eu produzi e mixei tudo. Fiz questão de deixar algumas imperfeições, elementos “fora da caixinha”, até umas desafinadas propositalmente, queria preservar humanidade no meio da eletrônica.

RockStage: Quais referências te guiaram nessa fusão entre rock e música eletrônica?
Guirroh: Guitarras! Drive, distorção, fuzz. Sempre isso. E do outro lado, batidas eletrônicas bem pesadas. Essa mistura criou um contraste interessante e abriu espaço para algo que eu mesmo não imaginava tocar algum dia.
RockStage: E como seus fãs reagiram ao Eletrorock?
Guirroh: Eu estava um pouco preocupado, porque mudar sempre mexe com quem já acompanha. Mas, quem me conhece sabe que “mudo como o vento”. O retorno tem sido surpreendente e divertido. Já teve gente dizendo que prefere a versão Eletrorock à original!
RockStage: Teve alguma faixa que te surpreendeu no resultado final?
Guirroh: Serpente Esmagada ficou pesadíssima e no palco parece que sempre foi daquele jeito. Já Vida (agora Vida Vermelha) ficou densa, profunda, reflexiva. Essa dualidade me surpreendeu muito.
RockStage: Esse projeto abre uma nova fase na sua carreira?
Guirroh: Com certeza. Surgiram várias músicas novas depois que me abri para essa estética. Crente foi a primeira dessa leva. E tem outras engatilhadas. Talvez no futuro eu toque tudo isso com banda também, nunca se sabe.
RockStage: O que você deseja que as pessoas sintam ao ouvir Eletrorock?
Guirroh: Que percebam que música é eterna e que permite novas versões de nós mesmos. Que arriscar faz parte da arte. E que o agora tem um poder enorme quando compartilhado. Estou numa fase mais dançante, leve e inspirada e quero que isso contagie quem ouvir.