Alguns artistas parecem nascer com a música correndo nas veias. David Cloyd é um desses casos raros. Ele mesmo diz não lembrar quando começou — a música sempre esteve lá, como uma extensão de si. Do piano aos vinis da infância, passando pelas letras e encartes que lia como quem decifra mistérios, Cloyd cultiva até hoje esse fascínio quase romântico pela arte sonora.
Seu som, embora flerte com o indie rock, resiste a rótulos fáceis. Segundo ele, “se minha música fosse um carro, o indie seria o motor e minha voz o volante — mas cada canção seria um modelo diferente”. Com influências tão amplas quanto Chopin, Leonard Cohen, Radiohead e, sobretudo, The Beatles, o resultado é uma identidade sonora que foge do óbvio e busca, acima de tudo, provocar sensações físicas e autênticas em quem escuta. Confira o single “Ocean Of Hours” logo abaixo:
David não quer apenas compor canções — ele quer capturar sentimentos. “Não falo de feliz ou triste, mas de algo visceral, algo que você sente no corpo”, explica. E é exatamente essa entrega que encontramos em Red Sky Warning, seu mais recente álbum. Lançado no mês passado, o disco mergulha nas contradições do amor, especialmente quando confrontado com a maturidade, o casamento, os filhos e os temporais inesperados da vida a dois.
“Amar não é só sobre bons momentos”, diz ele. “Muitas vezes, minha esposa e eu escolhemos entrar na tempestade — porque sabíamos que era lá que encontraríamos o que procurávamos”. Essa honestidade também atravessa sua relação com a música, descrita como uma segunda união, tão intensa e exigente quanto a primeira.
Entre os momentos mais memoráveis de sua carreira está a atenção do lendário produtor David Kahne (colaborador de Paul McCartney), que se interessou por seus dois primeiros álbuns e levou à produção do maxi-single “Dear Boy”, posteriormente licenciado pela MPL Publishing. Mas Cloyd é modesto: diz que seus melhores momentos acontecem mesmo no estúdio, em silêncio, lapidando sons. Ouça “Dear Boy” aqui na Rockstage Brasil.
O futuro já tem nome: MIXTAPES. A série de shows com quarteto de cordas e convidados retorna em setembro, em Buffalo, e promete mais emoções para quem acompanha sua trajetória. E claro, novas músicas já estão sendo compostas. Mas por ora, David prefere celebrar e dar atenção total a Red Sky Warning, um disco que ainda pulsa com força em seu coração — e certamente no de quem o escuta.