Adoro metáforas. A do vitral é uma das minhas favoritas. A primeira vez que me esbarrei com ela foi lendo Nelson Rodrigues “ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral” e nunca mais esqueci. Desde então inseri em música, em post… sempre deixando claro: vitral sem luz é só vidro.
A Keystone pegou a parada.
“Vitrais” fala de sofrimento sem espetáculo, sem histeria, das pessoas que só descobrem que estão destruídas quando finalmente param. A música tem cheiro de madrugada mal dormida e janela aberta pra dentro. O vazio que ela descreve não é o da falta, é o da presença sem alma.
Você tá ali. Respirando, postando story, respondendo “kkkkk”. Mas por dentro (vamos de metáfora) um apartamento alugado sem ninguém morando.
“Chega de viver me enchendo de mim / Pra depois perceber que sou vazio assim”
Aí chegam os versos que amarram tudo:
“Coração de vidro, sim / Refração da luz em mim / Do mosaico, parte, enfim / Luz que atravessa o meu fim”
Eis o vitral completo. O mosaico pressupõe fragmento. Fragmento pressupõe quebra… É luz entrando e criando algo que antes não existia.
“Eu quero ver o Sol brilhar em mim / Queimando tudo que sobrou aqui”
Há partes nossas que só existem quando tocadas pela luz certa, e às vezes essa luz precisa chegar em temperatura alta.
Produção do Marquinhus, que assina tudo de vocal a mixagem, dividindo as guitarras com Miguel Amarante, somadas à base de Leonardo Andrade na bateria e Kauê Porto no baixo. A faixa foi gravada no SM Record com Jorge Roger.
Corram lá pra ouvir e me digam nos comentários do post da banda se viajei na maionese, a reflexão tá aberta. “Vitrais” tá em todas as plataformas digitais, distribuída pela Se Vira Music.
Ouça aqui: bit.ly/42oASIU