CPM 22: “Suor e Sacrifício”, o álbum mais Hardcore da banda

 

O CPM 22 já foi a maior banda de Rock do Brasil ali em meados dos anos 2000 com grandes hits como Dias Atrás, Não Sei Viver Sem ter você e Um Minuto para o fim do mundo. Porém, você já chegou a ouvir o álbum da banda chamado Suor e Sacrifício (2017)? Se ainda não ouviu, você não sabe o que está perdendo!

 

É inegável que a banda ainda segue sendo bem relevante na cena Rock, fazendo shows por todo o Brasil e animando o público por onde passa, mas uma vez que a banda já tem uma carreira consolidada, não é todo mundo que vai atrás de ouvir os novos trabalhos do CPM 22.

 

Suor e Sacrifício (2017) nem é um álbum tão novo assim, já que neste ano completará nove anos de lançamento, mas por ser um dos últimos lançamentos da banda, nem todo mundo deu a devida atenção que este ótimo disco merecia.

 

Como a banda já não precisa mais ficar acatando “dicas” de produtores e de gravadora, o disco chegou com uma sonoridade mais intensa, direta e crua, onde a banda conseguiu explorar uma sonoridade mais voltada para o Hardcore e para o Punk que chamaram a atenção dos integrantes lá nos anos 80 e 90 e que fizeram com que eles quisessem seguir na carreira musical.

 

O disco é bem mais técnico e pesado que os anteriores e aqui a banda traz fortes referências de Bad Religion e NOFX, por exemplo, trabalhos que influenciaram diretamente o trabalho do CPM 22.

 

O álbum todo merece destaque, mas as músicas Combustível, Honrar Teu Nome e Ser Mais Simples merecem uma atenção especial.

 

Honrar Teu Nome é uma letra de Badauí para seu pai, já falecido. O músico fez uma bela homenagem póstuma agradecendo seu pai pelos ensinamentos e prometendo honrar todos eles sendo a melhor pessoa que ele puder para seus amigos e familiares, assim como foi ensinado. A sonoridade dessa faixa traz muita influência de Hardcore dos anos 90, mostrando bastante intensidade.

 

Combustível é a faixa que abre o álbum e mostra que a banda não está para brincadeira! Trazendo velocidade, agressividade, alternando entre velocidade e melodia, a música traz uma boa mensagem e flerta bastante com a sonoridade do Bad Religion.

 

 

Ser Mais Simples lembra um pouco mais o que o CPM 22 fazia no início do século, mas também apresenta uma alternância entre melodia e agressividade. Mesmo apostando na temática que fez a banda se sobressair e conquistar o país, aqui vemos uma letra mais madura e um olhar mais sereno para os problemas de relacionamento, tentando encontrar uma solução para isso. A frase mais marcante da faixa é, sem dúvida, “vou pagar pelas escolhas que eu fiz”, deixando bem claro a maturidade do eu lírico perante as escolhas feitas ao longo da vida.

 

De qualquer forma, o disco Suor e Sacrifício (2017) apresenta um lado mais técnico e mais agressivo do CPM 22, mostrando que a banda ainda tem “muita lenha para queimar” e convidando o público a não ficar apenas preso nos hits nostálgicos.

 

Hateen: a reflexão importante de superação em “1997”

Como era a sua vida em 1997? O Hateen chegou em 2006 com seu primeiro álbum em português, o ótimo Procedimentos de Emergência (2006), e já trouxe consigo uma reflexão importante sobre superação com a música 1997, o maior sucesso da carreira da banda.

 

Rodrigo Koala, vocalista e o compositor da faixa, deixa claro que o ano citado no título da música foi importante demais para sua vida, uma vez que rompeu um relacionamento duradouro com uma pessoa que amou muito. Essa situação é descrita na música e mostra a importância da superação vivida pelo músico, uma vez que hoje ele se encontra bem casado e com dois filhos.

 

A letra da música mostra um certo desespero, mas, ao mesmo tempo, traz um final feliz, mostrando que mesmo depois de viver momentos bem complicados, somos capazes de sobreviver e superar cada um desses problemas.

 

A faixa continua sendo um dos maiores hits da banda e teve seu videoclipe passado incessantemente na MTV após o lançamento do disco.

 

A banda traz uma sonoridade que flerta elementos do Hardcore Melódico, do Punk Rock e do que ficou conhecido como Emocore, apostando em bastante melodia e melancolia misturadas com intensidade e alternância de peso e calmaria. A banda segue fazendo seus shows até os dias de hoje e promete novo material de inéditas para o ano de 2026.

 

Muitos adolescentes da época que a música foi lançada (assim como eu) cantaram as frases marcantes da música a plenos pulmões e muitos de nós passamos por situações parecidas em algum momento. Amar alguém e ver essa pessoa indo embora nunca é fácil, além de ter que conviver com a presença dela por perto e daqueles amigos da outra pessoa que ajudaram a sabotar sua relação, sendo extremamente falsos com você. Toda essa raiva e angústia são detalhadamente expressas neste bom trabalho do Hateen.

 

O que resta é levantar a cabeça e seguir em frente, torcendo também para, em algum momento, encontrarmos também o nosso “final feliz”.