Nirvana: o desejo de Kurt de voltar para sua infância feliz

Sliver é uma música muito, mas muito importante para o Nirvana. A faixa é exatamente o elo entre o Nirvana mais denso do Bleach (1989) e o Nirvana mais “pop” do Nevermind (1991). Mas, você realmente já parou para pensar no significado de sua icônica letra?

 

Por trás de uma narrativa simples que mostra a história de um garoto que fica com os avós enquanto seus pais vão a um show tem um desejo incessante do músico de voltar para sua infância feliz.

 

Quem conheceu o músico Kurt Cobain sabe o quanto a separação de seus pais quando ele ainda era criança mexeu muito com ele. Somando isso ao fato de tomar remédios fortes desde cedo, fez com que o músico fosse se tornando cada vez mais triste, depressivo e dependente químico, querendo voltar a todo custo a ter aquela sensação que tivera quando ainda era uma criança: um lar feliz e em paz.

 

Quando Kurt grita a plenos pulmões pedindo para que sua avó o leve para casa ele não está pedindo apenas para ir ao lugar físico onde mora, ele quer ter aquela sensação de paz e segurança que um dia tivera e um dia sentira: ele quer ser feliz de novo. A música é quase um pedido de socorro!

 

Sliver também foi muito importante para mostrar para o restante da banda e para o público que já os acompanhava que eles estavam mudando de sonoridade: no disco seguinte aquelas letras densas e aqueles riffs sombrios dariam lugar a uma sonoridade mais alegre e dilemas adolescentes.

 

A faixa foi importante para “abrir espaço e apontar a direção” do que viria a ser o Nevermind (1991) e todo seu sucesso. De qualquer forma, a vontade de voltar a ser feliz e o pedido de socorro do líder do Nirvana jamais poderá ser ignorado.

 

 

 

Titãs: a boa música de uma frase só

 

O quão ousada uma banda tem que ser para criar uma música que repete algumas vezes a mesma frase? O Titãs fez isso com um ótimo trabalho que, além de boa música, ainda é o título do álbum: Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987).

 

O álbum foi um trabalho de transição, mostrando a sonoridade pesada que a banda já havia apresentado no trabalho anterior em Cabeça Dinossauro (1986), mas também apontando para uma novidade: a banda começava a flertar com bateria eletrônica e música experimental, mostrando uma nova sonoridade em que estavam também apostando.

 

Mas, voltando à música que dá nome ao álbum, não é comum termos uma faixa onde se repete várias vezes a mesma frase e nada mais. Dentro dessa ousadia, o Titãs criou uma ótima música que, além de reafirmar o nome da faixa e do disco, ainda trouxe ótimos riffs de guitarra e uma sonoridade que causa tensão e reflexão.

 

Cantada originalmente na voz de Nando Reis, teve também Branco Mello assumindo seus vocais após a saída do ruivo. Ambas as versões trazem boa tensão e reflexão, fazendo com que a música siga sendo atemporal.

 

É claro que a letra pode ter várias interpretações e a poesia nos permite isso, mas pensar que Deus se fez carne e viveu junto aos humanos sendo um deles é uma que se encaixa perfeitamente, uma vez que Jesus não tendo dentes no “país dos banguelas”, ele se torna igual a todos, mostrando sua humildade em vir à Terra para nos trazer redenção e ensinamentos.

 

De qualquer forma, o álbum foi, sem dúvida, um marco para a banda e ajudou a fazer com que os Titãs se consolidassem na cena rock nacional. A música segue sendo tocada pela banda e sendo marcante para os amantes de Rock and Roll até os dias atuais.