Nirvana: o grito de Kurt a plenos pulmões em “Where Did You Sleep Last Night”

 

Kurt Cobain nunca fora uma pessoa fácil de se lidar. Ao conhecer Courtney Love, foi como se a pólvora e o fogo se encontrassem: ambos tiveram problemas emocionais desde a infância, abusavam de ilícitos, bebiam muito e tinham bandas de Rock Alternativo em ascensão. Mas, acima de tudo isso, ambos se amavam. Pelo menos Kurt Cobain a amava muito.

 

O vocalista do Nirvana nunca soube lidar muito bem com a rejeição. Encontrar alguém que estava ao seu lado mesmo antes de o Nirvana fazer sucesso e se enxergar perfeitamente na outra pessoa foi um marco para ele. Courtney, apesar de tudo, foi o alicerce de vida de Cobain em seus últimos anos de vida.

 

O estilo de vida autodestrutivo dos dois juntos não durou muito tempo: Courtney engravidara de Frances Bean Cobain e começou a se cuidar pela filha. A ideia era que Kurt fizesse o mesmo, mas ele não conseguia por muito tempo.

 

De qualquer forma, na época do MTV Unplugged in New York (1994) do Nirvana, a relação do casal parecia não estar muito boa. Kurt aceitara o convite da emissora, mas não queria que se metessem no repertório: a banda iria escolher. Dentre as escolhas, uma música de Folk do início do século XX eternizada na voz de Leadbelly surpreendeu a todos: Where did you sleep last night.

 

Kurt sempre gostou de fazer covers de bandas e artistas que mexiam com ele. Para o acústico, o músico escolheu músicas de LeadBelly, Vaselines, David Bowie e Meat Puppets. De todas, sem dúvida a mais surpreendente fora a do artista de Folk.

 

A música (que originalmente fora gravada com o nome de In the Pines) acabou sendo a escolhida para encerrar o show. Foi nítido que Kurt deixara tudo de si nessa apresentação, cantando a plenos pulmões seu marcante refrão final. Ali ele não estava apenas fazendo uma apresentação, ele fazia uma declaração de amor para Courtney Love, a pessoa que o músico sentia que estava perdendo. Outras letras que o líder do Nirvana escrevera antes de partir como Do Re Mi e You Know You’re Right acabam trazendo mais argumentos para essa triste situação: Kurt sentia que o grande amor de sua vida estava lhe deixando.

 

Where Did You Sleep Last Night acabou sendo uma espécie de despedida de Kurt Cobain, que partira poucos meses depois. A MTV até pediu que a banda fizesse um “bis”, mas Kurt deixou claro que nada superaria aquela música; e ele estava certo.

 

 

Stone Temple Pilots: “Purple”, o ótimo segundo disco da banda

 

Toda banda, quando faz sucesso com a estreia, enfrenta um momento crucial: o “teste” do segundo álbum. É fato que várias bandas que fazem sucesso já no álbum de estreia acabam não repetindo os mesmos números no trabalho seguinte, não conseguindo manter o número alto de vendas e de procura da banda para shows. Mas, algumas bandas conseguem se manter no sucesso ou até aumentá-lo e esse foi o caso do Stone Temple Pilots.

 

“Pegando carona” no sucesso do grunge, mesmo sendo uma banda de San Diego, o Stone Temple Pilots trouxe uma sonoridade que misturava elementos de Hard Rock e de Rock Alternativo em sua estreia, o Core (1992). Devido ao estilo de cantar de Scott Weiland, a banda foi até comparada ao Pearl Jam.

 

 

Porém, em junho de 1994 a banda chegava com o Purple (1994), seu segundo álbum, trazendo músicas tão boas quanto ou ainda melhores que o primeiro disco. Aqui a banda se mostrou mais madura, trouxe bons riffs de guitarra, ótimas letras e ótimos refrãos, mostrando que o Stone Temple Pilots estava se consolidando na cena rock mundial.

 

Além do trabalho instrumental, Scott Weiland começou a explorar novas nuances de sua voz, trazendo uma sonoridade mais aguda, explorando novas notas e novas técnicas. Sendo assim, permitiu uma sonoridade diferente para a banda.

 

Na época, a banda era formada por Scott Weiland nos vocais, Dean DeLeo na guitarra, Robert DeLeo no baixo e Eric Kretz na bateria. A produção do disco ficou por conta de Brendan O’Brien.

 

O disco todo é ótimo, mas não posso deixar de destacar quatro músicas: Meatplow, Vasoline, Unglued e o grande sucesso Interstate Love Song.

 

Manter-se no topo e ainda alcançar mais sucesso depois da estreia, não é para qualquer banda e o Stone Temple Pilots fez isso muito bem com o ótimo disco Purple (1994).

 

Charlie Brown Jr: o desespero de tentar esquecer alguém em “Só Por Uma Noite”

 

O Charlie Brown Jr sempre passou mensagens de pessoas que lutavam para sobreviver e enfrentavam todos os desafios da vida. Não que não seja verdade, mas até pessoas desse tipo têm de lidar com a partida de pessoas que amam e lutar para esquecer alguém, nem que seja por um momento, nem que seja apenas por uma noite.

 

A faixa Só Por Uma Noite mostra alguém desesperado para esquecer um grande amor, “pagando qualquer preço” para conseguir se livrar desses pensamentos, nem que isso custe muito dinheiro ou muita energia. A saudade é tão grande que qualquer coisa que alivie essa dor está valendo a pena para o eu-lírico.

 

E, mesmo que essa busca pelo esquecimento seja a qualquer custo, ouvir a voz da outra pessoa já é o suficiente para entender que ele ainda a ama. A saudade está matando o eu-lírico, mas o amor é verdadeiro e ainda se mostra forte e presente, fazendo com que ele fale bem dela mesmo na dor.

 

Não é fácil ver alguém que você ama indo embora. Mais difícil ainda é conseguir esquecer esse amor. De qualquer forma, o eu-lírico mostra força de vontade para pagar qualquer preço a fim de conseguir esse objetivo. Em algum momento, essa busca parece até desesperada, até por não ter um plano bem definido ou uma solução aparente.

 

A situação parece desesperadora porque ele tentou tudo o que era possível: em ver de ficar parado de “braços cruzados”, ele foi à luta, ele conheceu outras pessoas e seguiu com sua vida; porém, em vão. A saudade continuou ali, latejando, gritando dentro dele, não importava o que ele fizesse.

 

O eu-lírico ainda não desistiu, mas a batalha não tem sido fácil. Afinal, nunca é fácil dizermos “adeus” ao grande amor de nossas vidas.