Pitty: a reflexão sobre o tempo em “Semana que vem”

 

Sempre achamos que temos muito tempo, até que, de repente, o tempo acaba. A música Semana que Vem da Pitty traz uma reflexão muito séria sobre isso: sobre não deixar de fazer o que se pode fazer agora porque não temos controle do nosso tempo.

 

A faixa é bem reflexiva e faz parte do álbum de estreia da Pitty, o Admirável Chip Novo (2003).

 

Muitas vezes fazemos questão de ajudar os outros, de fazer tudo o que podemos para agradar os demais e acabamos nos deixando de lado. Infelizmente, essa escolha faz com que nossos sonhos, nossas vontades e nossas escolhas fiquem para um depois que pode nem chegar a acontecer. Procrastinamos sonhos, metas, objetivos, passeios, férias e, no fim, pagamos com o que temos de mais valioso: nosso tempo. E ele não volta.

 

A letra da música de Pitty reflete exatamente sobre isso. Muitas vezes ficamos esperando a “hora perfeita”, mas ela parece nunca chegar. Acabamos sufocando nossos sonhos em prol de prazeres momentâneos e passageiros, acabamos adiando nossa vida e nem conseguimos perceber se na verdade estamos vivendo ou apenas sobrevivendo.

 

Escolhas. Muitas vezes, achando que estamos fazendo o certo, vamos deixando para depois o que nos faria feliz e, de repente, esse depois não chega e o tempo se acaba. A vida é um sopro e amanhã já pode ser tarde demais, pode nem existir.

 

 

Skank: “Amores Imperfeitos” e a saudade de um grande amor

 

Quem nunca sentiu saudades de um grande amor? Na letra de Amores Imperfeitos essa saudade fica bem clara, mostrando a frustração de ver um grande amor indo embora e a saudade ficando escancarada pelo eu lírico, torcendo por uma chance de poder viver aquilo novamente.

 

“Amores imperfeitos são as flores da estação”, a verdade é que todos temos defeitos, então é impossível que qualquer relação seja perfeita. Sempre enfrentaremos dificuldades e cabe a nós sabermos lidar com elas, sabermos enfrentar essas situações para seguirmos em frente ao lado de quem amamos.

 

Viver um “amor imperfeito” é viver um amor real, afinal, o que nos resta é saber aceitar qual defeito e qual situação lutaremos para enfrentar e aceitar, uma vez que a perfeição aqui sempre será uma utopia.

 

Sentir saudade de alguém e querer viver novamente esse amor não é fraqueza, é apenas sinceridade, é apenas mostrar que aquilo que foi vivido é real. Pode até ser que a outra pessoa não pense assim ou não queria, é possível, mas essa situação não vai mudar o que a primeira pessoa sente: a verdade deve ser dita; o orgulho de fingir que não se sente nada não vai levar ninguém a lugar algum.

 

A música marca uma nova fase na carreira do Skank e foi lançada no disco Cosmotron (2003), trabalho que contou com outros sucessos como Dois Rios e também Vou deixar. Aqui a banda já havia deixado para trás aquela sonoridade inicial do Reggae e passava a trazer um estilo mais voltado para o Classic Rock e para o Indie Rock, flertando com Música Brasileira, com o Clube da Esquina, por exemplo, além de influências de Beatles e bandas de Rock dos anos 2000 como Artic Monkeys e Strokes.

 

A letra não é um pedido desesperado de volta, mas é uma constatação da saudade, uma constatação de que tudo poderia ter sido diferente. Às vezes, com um tempo separados, é possível rever os erros e amadurecer as atitudes, tentando encontrar uma forma de ser uma pessoa melhor. Às vezes se quer tanto esquecer alguém que não se percebe que isso não irá acontecer tão fácil, afinal, você está diante do amor de sua vida. Pode até ser um “amor imperfeito”, mas também é, com certeza, um amor real.

 

 

 

Alice in Chains: “Your Decision” e a perda de um grande amigo

 

Você só consegue ajudar alguém que quer ser ajudado. Infelizmente, Jerry Cantrell viu seu grande amigo, Layne Staley, ir se despedindo aos poucos da vida. Infelizmente, ele desistiu de viver.

 

O vocalista e frontman do Alice in Chains sempre conviveu com a angústia e depressão, porém essa condição aumentou ainda mais quando sua noiva, Demri Parrot, faleceu, no ano de 1996. Depois dessa situação, a escolha de Layne de deixar esse mundo ficou clara e não importava o quanto seus amigos tentassem ajudá-lo. E eles tentaram.

 

O Alice in Chains ficou um bom tempo sem fazer shows por causa da condição de Layne. A banda ficou também sem lançar material inédito, encerrando sua trajetória com apenas dois singles inéditos inseridos em uma coletânea da banda. Layne partiu apenas em 2002, mas já havia desistido de viver e de lutar por sua vida havia anos.

 

Nos últimos tempos, o vocalista mal saía de casa. Infelizmente, ele se entregara a seus vícios e passava a maior parte do tempo no meio de entorpecentes, álcool, TV e videogame. Sempre sozinho, sempre solitário.

 

E não, não é que seus amigos haviam desistido dele; ele é quem havia desistido de si mesmo. Em Your Decision, single lançado em 2009, no primeiro álbum do Alice in Chains a não contar com Layne Staley, Jerry Cantrell deixou claro que a decisão de desistir da vida fora de Layne e que ele e seus parceiros tentaram ajudá-lo, mas o vocalista não queria ajuda.

 

A letra da música fala sobre a escolha feita por ele de partir, de desistir, de ir embora e “jogar tudo para o alto”. A letra fala sobre o esforço que tentaram fazer, mas que a escolha foi feita pelo próprio Layne e, depois disso, não havia mais o que fazer.

 

Esse single faz parte do álbum Black Gives Way to Blue (2009), um grande disco dedicado a Layne Staley e que marcou um momento de tristeza dos integrantes da banda após passarem por um período de luto pela perda de seu grande amigo. O álbum é denso, melancólico, mas também traz esperança de seguir em frente em meio à crise da perda.

 

No fim, você só consegue ajudar quem quer ser ajudado e não nos cabe a culpa de não conseguir fazer algo quando a pessoa que precisa não quer.