O Sepultura tem um EP pronto na gaveta. A banda gravou quatro músicas inéditas há um ano no Criteria Studios, em Miami, e o material já passou pela masterização. O lançamento está previsto para 2025 e deve ser o último registro de estúdio da carreira do grupo.
Andreas Kisser revelou os detalhes do projeto em entrevista ao programa KazaGastão, de Gastão Moreira. O guitarrista contou que a escolha do estúdio não foi por acaso. O Criteria tem um currículo de respeito na história da música.
O local abrigou gravações de álbuns como “Heaven and Hell” do Black Sabbath, “Rumours” do Fleetwood Mac e “Sex Machine” de James Brown. A discografia dos Bee Gees também tem forte presença no estúdio.
“Foi gravado lá desde o James Brown na década de 50 até todos os discos dos Bee Gees”, contou Andreas. “A rua é Bee Gees Brothers porque os caras usaram e abusaram daquele estúdio.”
A gravação aconteceu logo após o Sepultura participar do 70.000 Tons of Metal, um cruzeiro de metal que sai de Miami. Andreas aproveitou o contato antigo com o estúdio e conseguiu dez dias de estúdio sem pressão de gravadora.
O trabalho foi totalmente independente e financiado pelos próprios integrantes. As músicas não tinham nem nome quando entraram no estúdio.
“Não tinha data de lançamento, não tinha gente de gravadora enchendo o saco”, relatou o guitarrista. “Foi a melhor coisa do mundo.”
O EP traz novidades no som do Sepultura. Uma das faixas é a primeira balada da banda com Derrick Green nos vocais, composta em parceria com Sérgio Britto e Tony Bellotto dos Titãs. Outra música tem pegada mais instrumental com influência jazz e solo de piano de Renato Zanuto.
A banda está fechando os detalhes finais da arte de capa. Os nomes das músicas e a data de lançamento já foram definidos, mas Andreas preferiu não revelar ainda.
O material será considerado o último disco de estúdio do Sepultura. A banda está em turnê de despedida que deve se encerrar em outubro de 2025 com shows na Europa, seguidos de uma apresentação especial em São Paulo.
Andreas deixou claro que o fim não é necessariamente para sempre. “Não tenho necessidade nenhuma de definir hoje se vai ser para sempre ou não”, afirmou o guitarrista.
O Sepultura está em momento financeiramente organizado e conseguiu bancar o projeto sem apoio de gravadora. A independência permitiu liberdade artística total durante o processo criativo.