Michael Sweet diz que TDAH atrapalha orações durante composições do Stryper

O vocalista e guitarrista Michael Sweet, da banda de rock cristão Stryper, contou que a fé continua sendo o centro do seu processo criativo — ainda que o TDAH às vezes atrapalhe um pouco as orações.

 

“Eu rezo quando estou compondo, mas sempre posso rezar mais”, disse o músico, em entrevista ao canal Rock Your Faith Out, conforme transcrito pelo Blabbermouth. “Fico tão hiperfocado e distraído por causa do meu TDAH que às vezes me esqueço de orar. E isso não é uma boa qualidade.”

 

Sweet explicou que todas as letras do grupo são baseadas na Bíblia, mas destacou que o processo de composição da banda é menos coletivo do que muitos fãs imaginam.

 

“As pessoas acham que escrevemos todos juntos, mas isso nunca aconteceu”, afirmou o músico. “Eu sempre fui o cara da música, o Robert [Sweet] é o cara do visual, e o Oz [Fox] trabalha nas guitarras. Funciona — não consertamos o que não está quebrado.”

 

Segundo o músico, o novo álbum do Stryper começa a ser gravado entre janeiro e fevereiro, com lançamento previsto para 2026. “Sempre tento algo diferente, mas sem reinventar a roda. Espero que seja o nosso melhor disco.”

 

Antes disso, a banda lança o álbum de Natal “The Greatest Gift of All” em 21 de novembro, pela Frontiers Music Srl. O projeto inclui dez faixas — cinco inéditas e cinco releituras de clássicos como “Reason for the Season” e “Winter Wonderland”.

 

O Stryper vem de uma sequência intensa: lançou o disco “When We Were Kings” em setembro de 2024 e encerrou recentemente sua turnê de 40 anos com passagem pelo Brasil, celebrando sucessos e novas fases.

 

Enquanto isso, o guitarrista Oz Fox, de 64 anos, segue afastado por orientação médica após uma cirurgia cerebral em maio, sendo substituído temporariamente por Howie Simon.

 

Com 41 anos de estrada, o Stryper continua fiel à proposta que o tornou único no metal: riffs afiados, figurinos amarelo e preto — e letras que soam como pregações em alto volume.

 

Dallas Green e os benefícios de desacelerar: 20 anos de Sometimes, primeiro álbum do City and Colour

O ato de desacelerar é subestimado. Em tempos de superestímulos e dopamina barata, a rotina frenética e a pressão por produtividade deixam pouco espaço para o respiro. Há 20 anos, em meio às turnês caóticas de sua até então banda principal, o cantor, compositor e guitarrista canadense Dallas Green encontrou esse momento de desacelerar e criou o City and Colour, lançando seu primeiro álbum, Sometimes.

 

Era 2005. Enquanto a banda canadense Alexisonfire dominava a cena post-hardcore com a extensa (e intensa) turnê de divulgação do disco Watch Out! — em shows conhecidos pela visceralidade dos riffs de guitarra ferozmente agressivos e pelos berros. Energia lá no alto, sem descanso —, o guitarrista e vocalista de apoio Dallas Green fazia, nas cidades por onde passava, pequenas apresentações acústicas e intimistas.

Sozinho, voz e violão, o cantor e compositor apresentava bonitas canções de forte influência folk que começaram a circular em gravações e nas redes da época, criando uma base de fãs própria. Essa foi a gênese do álbum Sometimes, primeiro disco do City and Colour e projeto que representou a virada de chave na carreira de Dallas.

 

No dia 1º de novembro de 2025 comemoramos os 20 anos desse registro, que nasceu com um propósito despretensioso: reunir as canções que Dallas vinha compondo e apresentando nesses shows paralelos, mas que não se alinhavam à sonoridade de sua banda principal. Para batizar o projeto, surgiu o nome City (Dallas) and Colour (Green).

 

Com 45 minutos de duração e 10 faixas, Sometimes não precisa de muito para discursar. O disco reúne canções memoráveis que ainda hoje fazem parte dos repertórios do projeto — que, com o tempo, ganhou novas proporções, tornando-se a principal atividade de Dallas Green e alcançando públicos que o Alexisonfire dificilmente tocaria.

 

A sonoridade do álbum é bucólica — perfeita para ouvir em viagens, na estrada ou à beira de uma fogueira. A estrela do disco é Dallas: seu violão folk de cordas de aço e, principalmente, sua voz, que combina potência e um timbre doce, aveludado — uma característica que já se destacava no próprio Alexisonfire, contrastando com os berros do vocalista principal, George Pettit. Exemplos dessa dualidade não faltam, como em It Was Fear of Myself That Made Me Odd e Side Walk When She Walks, ambas do álbum Watch Out!

 

A produção simples, assinada pelo próprio Dallas e Julius Butty, reforça esse clima idílico. Há pianos e sintetizadores pontuais, que soam poucas notas em momentos precisos, e guitarras limpas inseridas de forma estratégica, conduzindo melodias sutis que complementam o protagonismo do violão de Dallas.

 

Algumas canções ganharam, posteriormente, arranjos mais “eletrificados” para as apresentações ao vivo. Não posso deixar de mencionar esse vídeo específico de Hello, I’m in Delaware, minha música favorita do álbum (e uma das favoritas da vida). Mesmo com toda a crueza e imagem amadora, a execução é tão linda e sensível que chega a doer. Pedindo licença para uma curiosidade pessoalmente mórbida, é a música que eu gostaria que me acompanhasse no dia em que eu meter o pé deste plano — espero que daqui a um bom tempo.

 

Liricamente, trata-se de um trabalho confessional. Praticamente todo o álbum — com exceção de Comin’ Home — foi composto em fases anteriores da vida de Dallas, como uma forma de escape, incluindo períodos de sua adolescência. Temas como a saudade do lar (Comin’ Home), os arrependimentos após o fim de um relacionamento (Like Knives) e a solidão (Sam Malone) dão ao disco um tom profundamente pessoal que norteou os demais trabalhos do projeto.

 

 

O pós Sometimes é história. O que começou como uma válvula de escape, um projeto secundário, se tornou o plano principal de Dallas Green. Hoje, o City and Colour, agora com uma banda completa em palco, é um sucesso consolidado, especialmente no cenário da música indie, lotando casas por onde passa — incluindo três passagens pelo Brasil: 2015, 2016 e 2024.

 

E esse caminho alternativo só foi possível porque, há 20 anos, Dallas decidiu desacelerar e explorar novos ares com Sometimes. É o caos, pelo menos por um tempo, cedendo lugar à calmaria e abrindo perspectivas até então ocultas pelo véu da euforia.

 

Avenged Sevenfold homenageia Misfits com cover de “Some Kinda Hate”

O Avenged Sevenfold entrou no espírito do Halloween e lançou um cover de “Some Kinda Hate”, clássico do Misfits de 1985 — e, como a própria banda brincou, “mantendo o espírito natalino”, a faixa está disponível para todos.

 

A tradição já virou ritual: desde 2021, o grupo celebra o 31 de outubro com versões punk de faixas do Misfits. Em 2024 foi “Skulls”; em 2023, “Astro Zombies”; em 2022, “Last Caress”; e em 2021, “Hybrid Moments” — todas com o guitarrista Zacky Vengeance assumindo os vocais.

 

O lançamento chega meses depois do mais recente álbum do Avenged, “Life Is But a Dream…”, um trabalho existencialista escrito ao longo de quatro anos e produzido por Joe Barresi. O disco estreou em 13º lugar na Billboard 200, com 36 mil unidades vendidas na primeira semana.

 

Enquanto o Halloween ganha trilha sonora nova, a banda ainda se recupera de um susto mais real: em setembro, o vocalista M. Shadows foi diagnosticado com hematoma nas pregas vocais, levando ao adiamento da turnê latino-americana prevista para começar em Buenos Aires no dia 25 de setembro de 2025.

 

Por ora, o grito que ecoa é outro — o do Misfits, com a assinatura sinistra (e bem-humorada) do Avenged Sevenfold.

 

Velvet Chains encara o fim e o recomeço em “How the Story Ends”

Diretamente de Las Vegas, o Velvet Chains lança uma daquelas músicas que parecem vir carregadas de algo mais profundo. Depois de emplacar o single “Ghost in the Shell” no Top 40 e passar semanas nas paradas americanas, a banda retorna com “How the Story Ends”, uma faixa que soa como um mergulho em perda, mudança e tentativa de reconstrução — temas que, convenhamos, fazem parte da vida de todo mundo. Confira abaixo:

 

 

A música tem aquele equilíbrio raro entre melodia melancólica e peso emocional, mostrando uma banda mais madura e com os pés bem firmes no próprio som. É uma daquelas faixas que não gritam, mas te pegam pela atmosfera.

 

“‘How the Story Ends” fala sobre buscar sentido em um mundo que se tornou incerto e quebrado. É uma reflexão sobre perda, mudança e o ato silencioso, porém brutal, de juntar o que restou da sua vida”, conta Nils Goldschmidt, baixista e fundador da banda.

 

O resultado é uma canção intensa, sombria e sincera, com uma produção moderna e sem exageros. Velvet Chains parece encontrar aqui um ponto de equilíbrio entre o rock alternativo atual e a alma crua do hard rock que os formou.

 

Pra quem acompanha a cena de Las Vegas, “How the Story Ends” chega como um novo capítulo na trajetória de uma banda que não tem medo de colocar emoção à frente da fórmula.

 

Que voltem ao Brasil o mais breve possível.

Fotografia: Brandon Wolford
Instagram: @brandonwolfywolford