Filha de PG lança single “Teorizar” sobre autossabotagem afetiva

A atriz e cantora Hadassa Mazarão — conhecida por participações no Canta Comigo Teen, por ser filha do cantor PG (ex-Oficina G3) e por interpretar a personagem-título no espetáculo Hadassa, da Cia Nissi — lançou nesta quinta-feira (23) seu novo single, “Teorizar”. A faixa já está disponível em todas as plataformas digitais e chega acompanhada de clipe no YouTube.

 

A canção nasceu de conversas de madrugada. Hadassa conta que escreveu “Teorizar” inspirada em histórias pessoais e de dois amigos próximos, após sessões de ligações que se estendiam até as 4h da manhã. “Eu falei: ‘Eu posso escrever uma música sobre isso?’ Eles falaram: ‘Tá bom'”, revela a artista.

 

Curiosamente, a música foi escrita logo após uma sessão de terapia e mudou completamente de formato durante a produção. O que começou como uma faixa acústica e tranquila ganhou roupagem pop rock.

 

A letra aborda o esgotamento emocional de quem tenta decifrar sinais de alguém que não corresponde da mesma forma e narra a jornada de quem se perde na autossabotagem afetiva — até perceber que está se anulando para manter uma relação desigual.

 

Para os fãs de detalhes, há um easter egg no clipe: a capa original do single, que foi descartada, aparece em um dos jornais no quadro de investigação detetivesca. “Se vocês assistirem o clipe com atenção, vão ver que essa imagem foi usada”, destaca Hadassa.

 

A produção musical é de Mari Jacintho e a direção de vídeo de Rodrigo Pysi. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Adelcio Custódio, com arranjos vocais de Paulo Ocanha. A arte do single é de Lierte Soares Neto e os figurinos da FB Clothing.

 

5 motivos que fazem de “Is It Really You?” uma das maiores músicas do metal na década

Lembro que, em meados de 2020, o algoritmo do Spotify começou a me bombardear com uma música específica: “Is It Really You?”, do grupo britânico Loathe. Mesmo eu nunca tendo parado para escutar a banda com atenção, a faixa surgia o tempo todo em playlists relacionadas a bandas que eu curtia na época, como Superheaven, Basement e Narrow Head — e não só isso: apareciam covers e regravações aqui e ali com certa frequência. E todo esse background me fez ficar com a pulga atrás da orelha.

 

Por que, exatamente, aquela canção específica começou a ganhar tanta atenção? Era apenas uma questão musical— ou estavam atuando forças mais complexas: algoritmos que empurram descobertas, redes de bandas que se influenciam mutuamente, timing cultural, ou mesmo uma estratégia de posicionamento artístico?

 

Cinco anos depois, cá estou eu — um apaixonado fã do Loathe, que tem o álbum …I Let It In and It Took Everything como um dos seus favoritos dos últimos anos — e que finalmente entende os motivos que fazem dessa canção uma das mais memoráveis do metal na década de 2020. Vem comigo!

 

Motivo 1: Contexto

O primeiro pilar para entender a proporção de Is It Really You? é considerar o cenário em que ela foi lançada. A música é a 9ª faixa do álbum …I Let It In and It Took Everything — aclamado segundo disco do Loathe, considerado o 12º melhor disco de metal de 2020 pela Metal Hammer. O registro apresentou significativas mudanças estéticas na sonoridade em comparação ao antecessor (e igualmente incrível) The Cold Sun (2017).

 

Afastando-se das convenções do metalcore, o álbum mergulha em territórios muito mais próximos de nichos como shoegaze e dreampop — estilos que, impulsionados pelo TikTok, alcançaram uma popularidade massiva nos últimos anos. Uma matéria excelente de Felipe Ernani, do Tenho Mais Discos Que Amigos, explica por que bandas como Deftones e The Smashing Pumpkins — ambas fortemente influenciadas pelo shoegaze — voltaram a ganhar tanto destaque nas redes de vídeos curtos.

 

A sonoridade com estética “dreamy”, cheia de ambientações, reverbs, delays e camadas sonoras, tornou-se extremamente popular na internet no início desta década. Mas por que isso acontece? Muito provavelmente por causa da ode à nostalgia que esses sons oferecem. Pesquisas sugerem que a música triste funciona como uma espécie de gatilho para memórias nostálgicas de tempos passados, e revisitar essas lembranças importantes pode de fato melhorar o humor.

 

Além disso, não é apenas melancolia: quando ouvimos essas músicas, muitos ouvintes relatam vivenciar outras emoções relacionadas, principalmente nostalgia, o que fortalece o senso de conexão social e reduz a ansiedade. Músicas como 1979 do The Smashing Pumpkins e Duvet do Bôa (ambas virais nos últimos anos) são exemplos perfeitos desse clima de doce melancolia e conforto nostálgico.

 

Motivo 2: Sonoridade que estoura a bolha do metal

O Loathe já mostrava leves flertes com um tipo de som mais etéreo desde The Cold Sun, em faixas como Stigmata e Babylon, mas foi em …I Let It In and It Took Everything que essa característica ganhou ainda mais peso. E Is It Really You? é o ápice desse tipo de sonoridade dentro do álbum.

 

Essa atmosfera melancolicamente aconchegante marca exatamente o tipo de sonoridade que, como já citado, ganha cada vez mais popularidade na internet. A música, inclusive, chegou a viralizar entre a comunidade shoegaze no TikTok no ano de 2023.

Por esse motivo, temos uma música que realiza uma façanha interessante: dialogar com públicos diversos, algo pouco comum dentro do universo do metal moderno, geralmente mais fechado em seu próprio nicho. Em outras palavras, esse ar de eterealidade torna a faixa facilmente assimilável para ouvintes que normalmente não se aproximariam de uma banda de metal.

 

Motivo 3: Produção que músicos querem escutar

Especialmente para os nerds, temos alguns pontos relevantes de produção. Produzida pelo próprio Loathe em parceria com George Lever — que também assina a mix — e masterizado por Jens Bogren, Is It Really You? é, para começo de conversa, uma faixa simples na essência. Uma boa composição antes de qualquer coisa. Funcionaria muito bem, por exemplo, em um arranjo apenas de voz e violão. Muito disso se deve à sua natureza melódica, que valoriza e muito a beleza e o contorno da linha vocal.

 

A canção é uma balada de 4 minutos e 47 segundos, focada na criação de atmosfera e na alternância entre momentos de calmaria e porrada. O cartão de visitas é o característico pad da introdução — cintilante, denso, quase sem ataque — responsável por estabelecer o espaço tridimensional da mix. Ele soa como um colchão etéreo que se mantém durante toda a faixa.

 

Logo depois, surgem guitarras barítonas encorpadas e graves, mixadas de modo a não sufocar o resto do arranjo. Essa é uma característica marcante de George Lever: os instrumentos pesados têm impacto, mas sem sacrificar a clareza com aquele som embolado que muitas bandas modernas insistem em fazer.

 

Os efeitos de ambiência — reverbs, delays e vocais distantes — são o temperinho necessário para entregar aquela sensação de nostalgia que citei anteriormente.

Porém, o grande destaque está na construção vocal. A voz começa branda, envolta em reverb, quase sussurrada. No pré-refrão, backing vocals ecoam suavemente por trás dos versos “I knew / It was mine too / And you? / Is it really you?”, preparando o terreno para o clímax: um refrão interpretado com intensidade por Kadeem France.

 

Motivo 4: Covers produzidos por outras bandas

Outro motivo que evidencia o fenômeno Is It Really You é a quantidade massiva de covers e versões que é possível esbarrar pelas redes sociais. Encontramos arranjos de violão, slowed + reverb, piano e voz, guitarra de 6, 7, 8 cordas… a lista é extensa.

 

No entanto, o que diferencia essa faixa das demais são os covers realizados por bandas já consolidadas. Não é muito comum — embora devesse ser — que grupos de porte e alcance similares (ou até maiores) façam suas próprias versões. No caso de Is It Really You?, isso aconteceu com duas bandas em especial: Teenage Wrist e Sleep Token.

 

A versão do Teenage Wrist tem como base uma sonoridade mais voltada para o rock alternativo, com influências revival do grunge noventista que a banda costuma inserir em seus discos. Segundo Marshall Gallagher, vocalista e guitarrista do Teenage Wrist, ele descobriu a música durante a gravação do álbum Earth Is A Black Hole (igualmente sensacional e super recomendado, por sinal) e contou que a faixa “realmente o atingiu”. Tem até um solinho de guitarra cheio de fuzz na versão deles. Ouça aqui.

 

Já a interpretação do Sleep Token é totalmente diferente, ainda mais intimista, focada apenas no piano e na voz do vocalista Vessel. Na época, a banda ainda não havia explodido com o gigantesco Take Me Back To Eden — álbum que, em outras proporções, teve a faixa The Summoning passando por um fenômeno semelhante ao de Is It Really You?, mas isso é assunto para outro texto — , mas já contava com um alcance substancialmente maior que a do autores originais da canção. A reação do Loathe foi de modéstia, afirmando que se sentiram “humilhados” pela versão dos londrinos. Bobinhos. Ouça aqui.

 

Motivo 5: Um clássico imediato para os fãs

Por último, mas não menos importante, Is It Really You? é um hino para os fãs de Loathe. Por ter tanta carga emocional envolvida, a música transforma-se em um momento de catarse durante os shows. Sem dúvida, é só ver as reações do público em lives como a do Outbreak 2023: lanternas para cima, mãos balançando, rostos emocionados.

 

Muito disso vem da parte lírica que, escondida em figuras um pouco mais abstratas, expressa um sentimento que todo mundo já experimentou — do fã ao jovem do TikTok, passando pelo nerd da produção musical: a incerteza. Incerteza de um futuro, de laços, de seus próprios sentimentos embaralhados, que em determinado momento imploram para ser encontrados. Lidar com a dor faz parte do processo. For a while.

 

Musicão.

Dave Ball, integrante do Soft Cell e pioneiro do synth-pop, morre aos 66 anos

O músico e produtor britânico Dave Ball, conhecido por integrar o Soft Cell e por hits como Tainted Love, morreu aos 66 anos. Segundo representantes, ele “faleceu pacificamente enquanto dormia em casa”, em Londres, na quarta-feira (22). A causa da morte não foi divulgada.

 

Ball formou o Soft Cell ao lado do vocalista Marc Almond em 1979, quando ambos estudavam na Politécnica de Leeds. A dupla levou o synth-pop sombrio e experimental às paradas mundiais com Tainted Love, que alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e ficou entre os dez mais nos Estados Unidos em 1981.

 

Marc Almond prestou homenagem nas redes sociais. “Ele era um gênio musical brilhante. Obrigado, Dave, por ser parte imensa da minha vida e pela música que criamos juntos”, escreveu.

 

Nascido em Chester em 1959, Ball foi criado em Blackpool. Inspirado por bandas como Kraftwerk, trocou a guitarra por um sintetizador no fim da adolescência. Com Almond, lançou o álbum Non-Stop Erotic Cabaret (1981), que trouxe letras provocativas e consolidou o Soft Cell como um dos principais nomes do pop eletrônico britânico.

 

Após o fim do grupo em 1984, Ball trabalhou com outros projetos e formou o duo The Grid com Richard Norris em 1988. A parceria emplacou sucessos como Swamp Thing e Texas Cowboys, que chegaram ao Top 10 das paradas do Reino Unido nos anos 1990.

 

Ball também produziu faixas para artistas como Kylie Minogue e lançou o livro de memórias Electronic Boy: My Life in and Out of Soft Cell, em 2020. O Soft Cell se reuniu em 2000 e voltou a gravar em 2022 com o álbum Happiness Not Included.

 

Em homenagem, Norris afirmou: “O vínculo entre uma dupla é muito forte. Obrigado pelos bons momentos, pelas risadas e pela música.”

 

Marc Almond contou que os dois haviam finalizado recentemente um novo álbum, Danceteria, previsto para 2026. “Dave estava feliz e animado com o novo trabalho. Sua música continua inconfundivelmente Soft Cell”, disse o cantor.

 

Guns N’ Roses explica fúria de Axl Rose em show na Argentina

O Guns N’ Roses divulgou nesta semana o motivo do surto de Axl Rose durante o show da banda em Buenos Aires, no último sábado (18 de outubro), no Estádio Huracán. O vocalista se irritou ainda na primeira música, jogou o microfone na bateria, tirou a jaqueta e deixou o palco.

 

Em comunicado publicado nas redes sociais, o grupo afirmou que a reação de Axl foi provocada por um problema técnico. O monitor intra-auricular do cantor transmitia apenas a percussão, sem o restante da mixagem. A falha foi resolvida pela equipe na terceira música, e o show seguiu normalmente.

 

A banda também negou qualquer desentendimento com o baterista Isaac Carpenter, que substituiu Frank Ferrer neste ano. “A situação não teve nada a ver com o Isaac, que é excelente e um ótimo baterista”, informou o texto.

 

Carpenter já trabalhou com o baixista Duff McKagan no Loaded e com artistas como AWOLNATION, A Perfect Circle e Adam Lambert. Ele também tem participações em trilhas sonoras de filmes e séries.

 

Em entrevista recente, McKagan elogiou o colega. “Isaac tem o groove do Steven Adler e a força do Matt Sorum. Ele trouxe um novo ritmo às músicas”, disse o baixista.

 

Axl Rose já teve episódios semelhantes no passado. Em 1991, durante um show em St. Louis, nos Estados Unidos, ele interrompeu a apresentação após brigar com um fotógrafo na plateia. O episódio terminou em tumulto e depredação do local.

 

A atual formação do Guns N’ Roses conta com Axl Rose, Isaac Carpenter, Duff McKagan, Slash, Richard Fortus, Melissa Reese e Dizzy Reed.

 

Guns N’ Roses, Axl Rose, Isaac Carpenter, Duff McKagan, Slash, Buenos Aires, show, rock, turnê, Estádio Huracán
Guns N’ Roses/Facebook

Memórias Idôneas aborda aprisionamento digital em novo single

A banda Memórias Idôneas lançou em 10 de outubro o single “Sobre a Tela”, pela Crossmaker Records. A faixa reflete sobre o aprisionamento humano no mundo digital, onde a vida real escorre pela tela enquanto o indivíduo permanece confinado entre janelas virtuais.

 

A letra, escrita por Gabriel e Filipe Shanom, usa a metáfora da cela para falar da relação contemporânea com as telas. “Estou cansado de esperar a luz na minha janela / Daqui só posso controlar o que eu vou assistir”, canta Gabriel na música.

 

A produção musical é assinada pela própria banda, com Filipe Shanom na bateria, baixo e backing vocals, e Gabriel Shanom nas guitarras e vocais. A mixagem e masterização foram feitas por Bene Maldonado, do Fruto Sagrado.

 

A engenharia de áudio ficou por conta de Marquinhus, da Keystone, que também acompanha os irmãos Shanom como baixista. As baterias foram gravadas no estúdio SM Records, com Jorginho. Os demais instrumentos foram registrados em ambiente doméstico.

 

O clipe foi captado e editado por Fellipe Pimenta. A arte de capa é uma pintura digital de Nathália Xavier.

 

“Sobre a Tela” está disponível nas plataformas digitais, com clipe no YouTube da banda.