A banda brasileira Pesta, lança o primeiro single de seu terceiro álbum, The Craft of Pain, intitulado “The Inquisitor, Pt. I”. A faixa, pesada e arrastada, remete ao som clássico de bandas de Doom clássico, Stoner Rock e Hard Rock setentista, combinando riffs densos, vocais fortes e um clima épico que caracteriza o trabalho da banda. Confira abaixo:
Formada em Belo Horizonte, Pesta consolidou-se como uma das vozes mais respeitadas da cena underground do metal brasileiro. A formação atual da banda traz Thiago Cruz nos vocais, Anderson Vaca no baixo, Flávio Freitas na bateria e Marcos Resende na guitarra.
The Craft of Pain, previsto para 16 de outubro de 2025, será lançado em vinil pela Glory of Death Records nos EUA e em CD pela Gate of Doom Records no Brasil. O álbum explora temas de dor, poder e história, confrontando maldades humanas, idolatria e ganância, com um lirismo provocativo que dialoga com a densidade sonora do Doom.
A prévia oferecida por “The Inquisitor, Pt. I” demonstra a maturidade da Pesta em criar composições densas, épicas e emocionalmente impactantes. A banda já dividiu palco com nomes como Pentagram, The Obsessed e Lucifer, e mantém forte presença em festivais nacionais, traduzindo a intensidade de seus álbuns para performances ao vivo ritualísticas e envolventes.
Com lançamentos anteriores aclamados como Faith Bathed in Blood (2019) e Bring Out Your Dead (2016), a Pesta segue evoluindo, combinando tradição e inovação dentro do universo Doom. Para os fãs de riffs pesados e atmosferas sombrias, “The Inquisitor, Pt. I” é uma amostra potente do que esperar do novo álbum.
É isso pessoal. Vamos aos artistas da groover que mais se destacaram em Agosto, segundo a Rockstage Brasil. Sem mais delongas…
Mama No Likey
Diretamente de Los Angeles, a Mama No Likey apresenta seu novo single “Kings and Queens”, lançado em 15 de agosto. A faixa é um verdadeiro hino rock sobre reconquistar o poder e proteger o que nos torna humanos — paixão, vulnerabilidade e comunidade. Com riffs marcantes e energia contagiante, a banda mostra que chegou para conquistar espaço na cena rock atual. Siga no Instagram @mamanolikey.
Amenazar
A banda americana Amenazar lança em 29 de agosto seu single “Smoke”, um rock lento e envolvente que transborda emoção e atmosfera. Com melodia marcante, ótima linha de guitarras e performance vocal intensa, a faixa explora os sentimentos que permanecem após o fogo — emoções não resolvidas que permanecem na mente. Siga no Instagram @amenazarband.
Poetic
Poetic da Grécia lança seu ótimo single “Letting Go”, uma faixa pessoal e intensa sobre coração partido, perdas e superação. Com influências do rock clássico e da era grunge, a banda combina sentimentos profundos com uma sonoridade moderna, criando uma experiência emocional que prende o ouvinte do início ao fim. Siga no Instagram @poeticrockband.
Kittenhead
A banda americana de L.A., Kittenhead, nos apresenta o bom single “Purr (Kiss Kiss Bang Bang)”, e podemos dizer: não dá pra não se envolver. Com letras pegajosas e uma pegada sexy que mistura diversão e atitude, a faixa mostra o lado mais descontraído e cativante da banda. Esse é o terceiro lançamento do álbum Authentic e mantém a promessa de trazer muita energia e personalidade ao cenário roqueiro. Confere no Youtube @KittenheadLA.
Geordie Brown
O cantor canadense Geordie Brown lança em 15 de agosto seu single de estreia, “Won’t You Come With Me”, uma reinterpretação vibrante de uma canção esquecida da banda setentista Titan, fundada por seu pai. Gravada em fita analógica e reunindo músicos de peso da cena rock canadense, a faixa entrega uma melodia envolvente, refrão poderoso e a energia atemporal do bom e velho rock, antecipando o EP previsto para 2026. Siga no Instagram@geordiebrown.
Colton Sturtz
Colton Sturtz manda ver no country com um toque autêntico e cheio de emoção. Com guitarras pesadas e uma pegada crua, ele mistura nostalgia e intensidade de um jeito que dá gosto de ouvir. Em “Trouble”, ele fala de amores complicados, desafios da vida em pequenas cidades e momentos de reflexão — tudo com aquele timbre de voz que gruda na memória. Uma música que soa verdadeira e conecta de cara com quem escuta. Siga no instagram @Coltonsturtzmusic.
Soraia
Soraia entrega em Body In The Backyard um rock n’ roll vibrante, com humor ácido e uma guitarra alucinante. Um single divertido, sarcástico e cheio de energia que prende a atenção do início ao fim. Pra quem curte um som na vibe Joan Jett. Recomendamos. Siga no Instagram @soraiarocks.
Dame Blanche
Eles estão de volta. Dame Blanche, de Dalfsen, Holanda, apresenta em “Little Monster” uma faixa honesta que transmite sentimento e energia. Não conseguimos colocar os caras dentro de uma caixinha. Aqui na Rockstage Brasil você pode conferir outros sons da banda! Siga no Instagram @dameblancherecord.
Nuse
Nuse, banda de metal groove de New Jersey, apresenta em “Malibu” uma faixa intensa e agressiva, com riffs poderosos e energia explosiva que mantém o ouvinte preso do início ao fim. O single mistura peso e técnica com uma pegada direta, típica da banda que vem construindo sua reputação no underground desde os anos 90. Suas letras refletem resistência e crítica social. Bom single. Siga no Instagram @nuseband.
Friendship Commanders
O duo pesado de Nashville, TN, Friendship Commanders, apresenta em Miedheaven uma faixa quase como uma marcha viking, mas sobre as estrelas, com uma seção instrumental épica no meio. Produzido, mixado e gravado por Kurt Ballou do Converge, o single mostra a força e a personalidade única da banda, mantendo a intensidade e o bom trabalho vocal que caracteriza seu som. Vale a pena conhecer o trabalho da banda. Siga no Instagram @friendshipcommanders.
Endtime Friendtime
O artista solo Endtime Friendtime, de Wheeling, WV, entrega em “Knife Crime” uma faixa direta e envolvente, misturando punk rock melódico com toques de heavy metal que mantêm a energia e a diversão. Com uma abordagem honesta e autêntica, o músico busca criar uma conexão verdadeira com quem escuta, explorando influências de rock, metal, punk e indie. “Knife Crime” é uma amostra do talento de Endtime Friendtime em escrever músicas que são ao mesmo tempo intensas e acessíveis. Siga no Instagram @endtimefriendtime.
Até o fim do mês, mais artista da Groover entrarão nesse artigo.
Algum tempo atrás, a Rockstage Brasil fez uma matéria sobre as novas bandas de rock do Noroeste dos EUA — com destaque para Seattle, berço do grunge (clique aqui pra conferir). Entre tantos nomes legais, um chamou nossa atenção: Cameron Biscarret e seu projeto The Holy Loyal. Agora é hora de mergulhar um pouco mais fundo na história desse grande músico.
O começo de tudo
Cameron Biscarret pegou no primeiro violão aos seis anos e nunca mais soltou. O repertório inicial incluía Beatles, Neil Young e Robert Johnson. Apenas três anos depois, já estava tocando em clubes e festivais, sem medo de se apresentar onde houvesse espaço.
“Algo estava me chamando, e passei a vida toda correndo atrás disso. Agora estou aqui…”, resume Cameron.
Suas influências são diversas e nada óbvias: The Grays, Jellyfish, Queens of the Stone Age, Wu-Tang Clan, Tears for Fears, Rihanna, Teenage Wrist, Sunny Day Real Estate, Avett Brothers e muitos outros. “Qualquer coisa que faça você querer balançar e se divertir é um bom momento pra mim.”, completa Cameron.
O primeiro EP: Willow
Em 2024, Cameron lançou o EP de estreia do The Holy Loyal, Willow. O trabalho chamou a atenção pela produção e pelas composições, ganhando espaço em matérias sobre a cena atual de Seattle. Confira a faixa “Drinking Poison”.
Willow é um disco profundamente pessoal, que gira em torno de overdoses acidentais, extremos de euforia e desespero e a busca por verdade em meio aos escombros da vida. É, segundo Cameron, um trabalho reflexivo e ao mesmo tempo o primeiro passo de quem finalmente decide mudar de rumo. “Às vezes, a única forma de saber quem está do seu lado é quando você não tem nada além de quem você é e das palavras no seu vocabulário”, afirma.
Novo single: “One More Time”
Em Agosto de 2025, Cameron apresentou o bom single “One More Time”, que mostra um cuidado especial na captura das guitarras. Confira abaixo:
Para a gravação, ele usou uma Esquire ‘56 ligada a um Vox Superbeetle (V1141) e um Peavey Classic 30, com um pedal Octonaut Hyperdrive na frente — truque que aprendeu com Brent Bergholm. A produção e mixagem ficaram a cargo de Jimmy Naron, parceiro de longa data: “Ele faz tudo soar ótimo”, diz Cameron.
O próximo EP: desertos e bandeiras vermelhas
O novo trabalho — ainda sem título divulgado — nasceu de uma temporada intensa no deserto, entre Chandler (AZ) e outras regiões áridas. “O deserto é um lugar interessante. Ele te coloca no chão, queira você ou não. Sua sobrevivência vira ‘sobrevivência de verdade’ se você conseguir aguentar.”
Ao contrário de Willow, o próximo EP será mais rápido, direto e não-linear, com letras que funcionam como avisos curtos e bandeiras vermelhas. Cameron descreve o material como fruto de “cruzar meus próprios limites, acabar no inferno de outra pessoa, ver paisagens lindíssimas e viver desastres caóticos para equilibrar”.
A pergunta que permeia o disco é: “O que foi aquilo e como nunca mais fazemos de novo?”.
Todas as imagens e artes do ciclo desse álbum foram capturadas pelo próprio Cameron durante esse período, cada uma representando uma luta diferente.
The Holy Loyal ao vivo
O The Holy Loyal é o projeto pessoal de Cameron, mas nos palcos ele conta com músicos convidados que dão vida às canções. Para ele, cada apresentação é um templo. Já passou por casas icônicas como o El Corazon (antigo Off Ramp) e o Alma Mater em Tacoma, além de shows no Arizona. “Cada show é um lembrete do que significa estar vivo, respirando e com um propósito.”
Cameron já dividiu palco com nomes como CW Stoneking e até participou de apresentações inusitadas, como tocar com Wee Man.
Seattle: entre passado e presente
Cameron enxerga a atual cena de Seattle com certo ceticismo: “O palco de hoje foi pavimentado pelos grandes óbvios — Soundgarden, Alice In Chains, Pearl Jam, Nirvana — mas o que vejo agora se parece mais com um ‘pré-grunge’ em crise. Há traços mínimos das influências dos anos 90. Me lembra mais o fim do grunge, por volta de 95/96, do que a era explosiva. O cenário está… muito morto agora.”
Mesmo dentro deste cenário, Cameron faz questão de citar nomes que ele considera promissores:
“Asterhouse me vem logo à cabeça. Uma mistura absolutamente incrível de irreverência sarcástica com uma honestidade de partir o peito. São alguns dos caras mais legais que conheci nesse meio, e realmente merecem todo sucesso que tiverem. Eu poderia passar a entrevista inteira falando sobre esses símbolos sexuais, mas basta ouvir ‘Boom Boom Boom’ pra entender…”
Ele também destaca outras bandas que fazem parte de sua cena e universo musical: Punish The Scribes, Hiram B Freedom, A Dozen Fiascos, Charlie Drown e Ghostpets.
“Punish The Scribes é uma força monstruosa por si só, e uma grande influência pra mim — se você prestar atenção vai perceber. Eu devo uma vida de gratidão a Tristan McNabb pelo tanto que aprendi com ele, e pela amizade que temos. Ele é meu doce canalha favorito.”
Sobre o A Dozen Fiascos, Cameron vai ainda mais fundo:
“É a banda do meu irmão de outra mãe, Jimmy Naron, que sempre me inspira a ultrapassar limites sonoros e quebrar regras — rindo da própria ideia de que essas regras existam. Jimmy também é autoprodutor (você pode ouvi-lo na bateria em “One More Time”) e é um mestre em qualquer instrumento que pega. É brilhante, cara. Quando eu crescer, quero escrever músicas como o A Dozen Fiascos!”
“Mais do que apenas citar nomes, Cameron deixa claro que se sente parte de uma cena em movimento, que carrega a herança do grunge e, ao mesmo tempo, abre espaço para novas interpretações. E é exatamente aí que o The Holy Loyal se posiciona: entre a reverência ao passado e a coragem de criar algo novo. Se o Noroeste dos EUA já foi berço de uma revolução musical, projetos como o de Cameron Biscarret mostram que o espírito continua vivo — e preparado para surpreender outra geração.”